MITOLOGIA

O rapto de Europa


Cadmos(Κάδμος), o pai de Sêmele(Σεμέλη), continuava o seu relato de como os deuses sempre estiveram intimamente ligados à sua família, e Sêmele sabia em seu intimo que esta relação nem sempre trazia somente graças, como aconteceu com sua avó Líbia(Λιβύη), filha de Épafos(Ἔπᾰφος), que se unira a Poseidon(Ποσειδῶν), gerando Belos(Βῆλος), que veio a ser rei do Egito, e Agenor(Ἀγήνωρ), seu pai.

E Cadmos, em voz baixa, segredando as histórias da família, contou como sua própria irmã, Europa(Ευρώπη), também havia sido uma das preferidas de Zeus(Ζεύς), isso aconteceu há muito tempo atrás no reino de Tiro.

Agenor, o “comandante de homens”, tornou-se o soberano de Sídon, numa vasta região da Síria. E seu reino chamava-se Sidônia. Nos jardins do palácio, costumavam brincar os seus quatro filhos. Eram tres meninos — Cadmos, Fênix(Φοίνιξ) e Cílix(Κίλικας) — e uma menina, Europa. Brincavam muito despreocupados, em grande algazarra.

Uma noite, Europa sonhou que duas mulheres lutavam ferrenhamente por sua posse: chamavam-se Oriente, que tinha traços semelhantes aos seus, e Ocidente, de pele mais branca. Se Oriente vencesse, Europa permaneceria no lugar de seu nascimento, com seu povo; se Ocidente triunfasse, levaria Europa consigo, numa longa viagem para o Oeste, o outro lado do mar azul.

Ocidente venceu a luta. Com o coração partido, Oriente disse adeus à princesa nascida e criada em seu solo, cuja deslumbrante beleza era o orgulho de toda a Ásia, enquanto a estrangeira, de forma violenta, a seduzia:

— Venha comigo, minha querida, vou levar-la para junto de Zeus! Isso está determinado em seu destino!

Europa acordou aterrorizada, pois nada no mundo a faria deixar a terra em que viera ao mundo e os pais que tanto amava. De joelhos, rezou e suplicou aos deuses, sobretudo a Baal, seu deus maior, que a impedissem de afastar-se da pátria e da família. E quem era Zeus? Por que deveria segui-lo? Por algum tempo ficou sentada na cama, imóvel, quando entrou sua ama às pressas, para acudi-la, já que havia acordado com seus gritos. A princesa abraçou-a e lhe falou coisas confusas:

— Qual dos deuses me enviou aquelas imagens? Quem era aquela estranha que vi no sonho? Que miraculosa saudade é esta que despertou em meu coração? E com quanto carinho ela se aproximou de mim, como eram cheios de amor os seus sorrisos, mesmo quando me raptou com violência!

— Calma, princesa, foi só um sonho... — Tentava acalma-la sua ama.

— Possam os deuses fazer com que este sonho me seja favorável! Venha, querida ama, ajude-me a sacrificar aos deuses e pedir-lhes proteção!...

Porém, Zeus, o senhor dos deuses do Ocidente, tinha outros planos. Fora ele quem mandara Óneiros(Όνειρος), o deus dos pesadelos, penetrar o sono de Europa, para descobrir se ela gostaria de partir e deixar sua terra natal. Mesmo sabendo que a princesa estremecia só de pensar em deixar o seu reino, o poderoso Zeus estava dominado pelo desejo de levá-la consigo e desposá-la.

— Que linda mulher! — exclamava o deus dos deuses, cuidando, no entanto, para não ser ouvido por Hera, sua ciumenta esposa. — Tenho de possuí-la, a qualquer preço.

E o que ele desejava tinha de ser realizado. Movido por essa determinação, Zeus concebeu um plano secreto para raptar a princesa, que de nada suspeitava, e faria isso também com o fito de desviar-se dos olhos de sua esposa, a vingativa Hera(Ἥρα). E, com esse objetivo, chamou seu filho Hermes(Ἑρμής) e ordenou-lhe:

— Apresse-se, filho, fiel cumpridor de minhas ordens! Veja. Adiante do mar, nas praias da Síria, encontra-se Sídon. Vai para lá e conduza o rebanho do rei Agenor, que agora se encontra nas montanhas, aos cuidados dos pastores. Dê-lhes um profundo sono, e faz o que te peço: leve-os à beira-mar.

Por alguma razão, Zeus jamais aparecia diante das suas eleitas na sua forma pessoal, preferindo assumir sempre outra aparência qualquer. Assim decidiu transformar-se num grande touro, branco como a neve. Completada a transformação, Zeus desceu à Terra, envolto numa grande nuvem.

Sem que ninguém percebesse, a grande nuvem foi se aproximando, até que dela desceu o grande touro, indo colocar-se em meio aos demais. Os seus novos colegas de rebanho, a princípio assustados com aquela súbita aparição, abriram um espaço assim que ele pousou sobre a grama. No entanto, como o alvo touro se mostrasse manso e dócil, teve logo sua presença admitida, sem maiores contestações.

Poucos instantes depois, ao clarão do luar, o deus alado chegou às pastagens sidônias, Hermes adormeceu com o Caduceu os pastores cansados e conduziu o rebanho do rei, em meio ao qual, misturou-se o belo touro branco, sem que o próprio Hermes pudesse perceber. E levou-os até as ravinas de Sídon.

Num dado momento, no dia seguinte, ensolarado de primavera, a princesa Europa, seus irmãos e suas ancilas reuniram-se nos jardins do palácio. Foram se encontrar com as filhas das melhores famílias, e foram fazer um passeio pelas ravinas à beira-mar, um dos pontos de encontro preferidos pelas moças e rapazes daquela região.

Ali as moças se alegravam com o colorido das flores e com o murmúrio inebriante do mar, enquanto os rapazes viam ali melhor lugar para cortejá-las. As meninas trajavam belos vestidos enfeitados com flores. Europa, em particular, filha única do rei Agenor, usava um esplêndido vestido vermelho, de cauda, cujo tecido era bordado com fios de ouro, retratando cenas da história dos deuses, como Baal e Astarte.

Na verdade, descendente do povo da Hélade, através de Io(Ἰώ), a família real, acostumada a gerações a cultuar os deuses de Sídon, ignorava a existência dos Olímpicos. No entanto, os trajes de Europa haviam sido especialmente confeccionados por Hefesto(Ἥφαιστος), como um presente antiqüíssimo que Poseidon, certa vez, dera de presente a Líbia, quando a estava cortejando.

De Líbia, o vestido chegara como herança à casa de Agenor. Trajando esse ornamento nupcial, a bela Europa corria, à frente de suas companheiras, em direção às ravinas floridas. Rindo, as donzelas se espalharam, cada qual em busca de suas flores prediletas, e preparavam-se para receber os rapazes que apareciam sem ao menos serem convidados.

Porém, a pequena Europa se afastou dos irmãos e das amigas, saindo a colher flores para preparar uma grinalda, a certa distância das ancilas, onde pastavam os rebanhos do rei Agenor, seu pai. A princesa ria e brincava, correndo de flor em flor. Seu rosto irradiava a alegria de partilhar aquele lugar com as amadas companheiras.

Era uma manhã luminosa, o sol brilhava sem ferir os olhos, e o céu tinha um tom manso e azulado como os olhos do touro, que observavam, atentos, a aproximação de sua amada.

— Vejam só que belo rebanho! — exclamou Europa, ao ver os bois ajuntados. — Mas o que será aquela mancha branca em meio a eles?

A Brisa acariciava-lhe os cabelos sedosos, e que os raios dourados do Sol emprestavam seu brilho, emoldurando e embelezando ainda mais aquele rosto encantador. E estava assim distraída, quando ouviu um ruído de passos macios sobre a relva. Voltou-se, curiosa, para o lado de onde vinha o rumor. E, com surpresa, viu um belo touro branco, com doce olhar amigo.

A jovem, destacando-se do grupo, avançou correndo, levantando a barra da sua túnica rendada, que lhe descia até um pouco abaixo dos joelhos. Quando chegou perto de Zeus, seus seios arfavam sob a fina gaze de suas vestes. Os grandes olhos azuis do touro branco pousaram sobre a face corada de Europa, de tal modo que a moça não pôde deixar de observar o seu intenso brilho.

Vinha tão calmo e tão manso que, apesar de nunca visto antes, não lhe causou o menor susto. Pelo contrário, sentiu um súbito desejo de acariciá-lo, pois era soberbo. De forma esplêndida, tinha músculos intumescidos no pescoço e uma papada imponente. Os chifres eram elegantes e pequenos, como se tivessem sido feitos pela mão de um artista, e mais transparentes do que diamantes. Era um touro de doce hálito, perfumado tal qual a ambrósia, e dorso macio. O pelo tinha um tom de branco-dourado. Uma barra preta na fronte destacava a perfeição de sua cabeça branca, coroada por cornos muito separados e brilhantes como duas meias-luas de pedra preciosa. Os olhos azuis rutilavam, prenhes de desejo e paixão. Enfim, o alvo touro, contrastando em relação ao pelo escuro dos outros touros,destacava-se em seu rebanho, assim como a filha de Agenor destacava-se em meio ao seu encantador e animado grupo.

O raríssimo touro branco, amavelmente, recebeu a carícia leve no pescoço que Europa lhe aplicava. Europa, na sua imaginação juvenil, teve a impressão de que aquele grande e poderoso animal devia alimentar-se exclusivamente de flores. Por isso, aproximou o buquê de rosas do focinho do animal e este lambeu, afetuosamente, as flores e a delicada mão da donzela. Parecia um velho amigo. Só faltava sorrir e falar. E encostava-se nela, muito amoroso, como se a estivesse convidando para um passeio no campo.

— Um touro branco! — disse a moça, encantada. — E que lindos olhos ele tem!

Todas as amigas juntaram-se em torno ao animal, que, no entanto, tinha seus grandes olhos azuis postos somente sobre a bela filha do rei. Alguns espasmos musculares percorriam o pelo do touro a cada vez que Europa o acariciava. De vez em quando o animal inclinava a cabeça, fazendo-a deslizar discretamente pelo flanco de Europa, erguendo com suavidade a fímbria de suas vestes.

A filha de Agenor, contudo, permitia tais liberdades por julgá-las apenas um brinquedo inocente do magnífico animal. Retirando-o do grupo, Europa levou-o para passear nas areias da praia, dando-lhe com as mãos algumas flores, que o touro comeu alegremente. Depois, ele pôs-se a correr ao redor da moça, enquanto as outras o perseguiam, fazendo-lhe festas e agrados.

Como o sol começasse a se tornar quente demais, pois era o auge do verão, as moças, cansadas momentaneamente da brincadeira, despiram-se para dar um breve mergulho no mar. Europa, entretanto, preferiu ficar na areia, a brincar com seu touro branco.

Assim, enquanto suas amigas banhavam-se, Europa colhia outras flores, compondo com elas uma bela grinalda que depositou em seguida sobre os chifres do animal. Tentada pela idéia, Europa acariciou novamente o belo animal de pelo branco e chifres de marfim. Ousou beijar-lhe a testa luzidia. O animal mugiu de prazer, mas o seu mugido era incomum, soava como uma flauta da Meônia ecoando por um vale entre montanhas. Beijou-lhe o focinho e disse-lhe:

— Posso passear em ti, boizinho?

Parece que outra coisa não desejava o animal, porque dobrou as pernas, se abaixando, e esperou que a menina subisse.

— Os meus irmãos vão ficar muito espantados quando nos virem.

E, com um pequeno esforço, conseguiu ajeitar-se no seu dorso.

— Cadmos! Fênix! Cílix! Venham ver! — gritava Europa sentiu-se muito feliz.

E, dando com os pezinhos nos flancos do touro, começou seu passeio, passando por suas ancilas, que acenavam rindo e fingindo despedir-se.

— Depois eu os deixo montá-lo. É amigável e delicado, diferente de outros touros do rebanho. Acho que é inteligente; só falta falar!

Depois, montada sobre as suas costas, foi conduzida por ele num trote manso. Enquanto o animal a levava, emitia um pequeno mugido, em sinal de orgulho e satisfação. As amigas de Europa, entretanto, ao verem a nova diversão que a filha do rei inventara, saíram todas correndo do mar, num passo rápido que fazia balançar seus pequenos seios molhados. Zeus, porém, ao vê-las avançarem para si, temeu que fossem desalojar Europa das suas costas.

Realmente, logo uma delas tocou a cabeça do touro, com a mão coberta de sal: — Vamos, Europa, deixe-nos andar um pouco! — disse a moça, impaciente.

Zeus , porém, aproveitando a relutância que Europa manifestava em descer, lançou-se para a frente, num salto ágil, tomando o rumo do mar.

— Ei, esperem, aonde vão?... — exclamou uma das amigas de Europa, com as mãos pousadas na cintura.

Zeus , surdo aos gritos, arremeteu em meio às mulheres que avançavam pela água, obrigando-as a se afastarem, assustadas, para todos os lados.

E ela chamou seus irmãos:

— Cadmos! Cílix!

Os irmãos, que corriam atrás de uma borboleta, ouviram-lhe os chamados e foram atendê-la apressadamente.

— Que é isso, irmãzinha?

— Estou dando um passeio...! Na volta eu conto o que vi.

Sem entender, os príncipes viram que o belo touro branco se afastava.

— Tome cuidado, Europa!

Mas logo se assustaram. O touro acabava de tomar o rumo do alto mar. Assustados, os irmãos correram atrás dele. O touro começou a correr também. E as ancilas, que esperavam a vez de andar também no lombo do touro branco, seguiram-no.

— Espera, aonde vai?

— Socorro! — gritava Europa, estendendo-lhes as mãos, apavorada com o ímpeto repentino do animal.

O touro, entretanto, avançava mar adentro, deixando atrás de si as mulheres pela praia, a sacudir os braços, impotentes. Imaginando que o touro enlouquecera, temeram que tanto Europa quanto o animal terminariam afogados, logo que ultrapassassem a rebentação.

Surpreendentemente, porém, o touro rompeu as ondas, lançando-se num trote ainda mais ágil do que aquele que usara nas areias fofas da praia. E assim se afastou cada vez mais da praia. Europa ficou com medo de largar os chifres, já que mal sabia nadar. Com a mão direita agarrava-se a um dos chifres, com a esquerda apoiava-se às costas do animal.

— Pare... ! Para onde está me levando? — perguntava Europa, enquanto o touro permanecia firme no seu galope, saltando sobre as ondas com a mesma destreza de um golfinho. — Socorro!

As crianças começaram a gritar, pediram socorro. Gente da cidade e pescadores chegaram num instante. Os de vista melhor ainda viram aquele ponto cada vez mais longe, Europa cada vez menor, agarrada aos chifres do estranho touro. Era um touro mágico, ou seria obra de um deus? Vendo, porém, que o animal parecia determinado a conduzi-la para algum lugar, Europa começou a clamar por socorro, invocando a proteção de Poseidon:

— O deus dos mares, veja em que aflição me encontro! — disse a moça, recebendo em seu corpo o vento e as ondas geladas.

De repente, porém, tendo já avançado imensamente pelo oceano, o touro voltou para trás a cabeça e começou a conversar com a assustada Europa.

— Nada tema, bela Europa! — disse o animal. — Eu sou Zeus e a levo comigo para a ilha de Creta, onde você será honrada com uma ilustre descendência.

Agenor, rei da Síria e pai de Europa, ouviu, desesperado, a notícia trazida pelos filhos. Enviou os seus servos a procurar pela filha, fez partirem várias embarcações para o alto-mar, para ver se a recuperavam. Quando se convenceu da tragédia, indignado com os filhos, que julgava culpados, deu-lhes estas ordens:

— Ouçam minha vontade. A angústia que sinto sem minha amada filha é maior do que meu coração pode suportar. Só terei paz se ela for encontrada. Vocês são jovens e fortes, vão e procurem em todos os lugares. Vasculhem o mundo inteiro, se preciso for, e tragam-na de volta. E não ousem retornar sem ela, pois se o fizerem se arrependerão!

Cadmos, Fênix e Cílix baixaram a cabeça, confusos e extremamente angustiados.

— Fora! E não voltem sem ela!— esbravejou o rei!

Os três saíram cabisbaixos. Ao transporem o portão real, armados apenas com suas lanças, tiveram um consolo. Dois voluntários ofereceram-se a acompanhá-los na dura peregrinação que os príncipes iam iniciar: um amigo de brinquedos que adorava Europa, Tásus(Θάσος), e Teléfassa(Τηλέφασσα), mãe dos jovens príncipes. E Cadmos, assustado, vendo o seu extremo abatimento e prevendo as agruras e privações que iam passar, disse:

— Mamãe, volte para o palácio.

— Não, Cadmos. Ela é tão minha filha quanto sua irmã. Vamos procurá-la juntos... Ela não deve estar muito longe.

Foi dura a jornada... longa... muito longa. Primeiro por terra, por cidades e aldeias e casas e homens ao acaso dos campos. Depois pelo mar, por onde Europa sumira no dorso do touro, perguntando de um a outro barco se tinham notícia de um touro branco, nadando — ou voando, e uma menina formosa chorando e pedindo socorro.

Mas ninguém dava notícia. Ninguém vira, absolutamente nada. E ninguém ouvira falar sobre isso. Outros riam-se dessa situação inacreditável. Era evidente, já que Zeus lançara uma forte maldição sobre todo aquele, deus ou mortal, que revelasse que ele havia levado a princesa em direção de Creta.

A viagem para o Oeste foi majestosa e triunfal. O vento soprava no vestido de Europa, como se fosse a vela de um barco, e, temerosa, ela olhava para todos os lados, e não via mais terra alguma.

— Pára...! Para onde está me levando? Ó deus das águas, me proteja e amansa este animal ousado!

Poseidon, o irmão de Zeus, subjugou as ondas com seu tridente mágico, ordenando que as águas ficassem calmas e não molhassem mais do que a barra do vestido da princesa. Em seguida, para que a deusa Hera não os visse, fez surgir uma neblina densa acima de suas cabeças.

Com sua esposa, Anfitrite(Ἀμφιτρίτη), ele acompanhou Zeus num carro dourado puxado por quatro imponentes cavalos-marinhos, observados pelos olhos assustados e maravilhados de Europa, que viu também uma legião de Ninfas, as Nereidas, que vinham na esteira do deus do mar, e de ambos os lados golfinhos mergulhando e saltitando, enquanto aves marinhas revoluteavam no alto. O filho de Poseidon, Tritão(Τρίτωνας), puxava o cortejo, tirando acordes triunfais de uma grande concha coniforme para anunciar a chegada da filha de Agenor às regiões ocidentais.

Mas ela, pobre menina, não sabia o significado daquilo. Agarrava-se ao dorso do touro, amedrontada, saudosa de casa e dos entes queridos, que talvez não tornasse a ver.

Desse modo, ao cair da Noite, eles chegaram a uma praia distante, do outro lado do mar desconhecido por ela, pois jamais havia deixado sua terra natal. O touro subiu para terra firme e, sob uma árvore, deixou que a donzela deslizasse suavemente de suas costas e desapareceu. Em seu lugar surgiu um homem esplêndido, de aspecto ocidental, semelhante aos deuses, que lhe declarou ser o senhor daquela ilha e que a protegeria se ela concordasse em casar-se com ele. Mas lhe daria tempo para pensar.

Europa, ainda meio confusa, em seu abandono inconsolável, deu-lhe a mão, em sinal de sua concordância, e assim o homem desapareceu como que por encanto, da mesma maneira como havia surgido.

Fonte: Olimpo - A Saga dos Deuses
Emmanuel Mourão - Mitologia grega ao alcance de todos.

Foto: Genzoman
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